Artrose de joelho
Entenda as principais causas de falha da prótese de joelho, quando é necessário fazer uma revisão e como é investigado um joelho com prótese dolorosa.

Falha da prótese de joelho: quando é necessário trocar?
A prótese de joelho pode proporcionar muitos anos de melhora da dor e da função. Porém, em algumas situações, o implante pode apresentar uma falha que compromete seu funcionamento e torna necessária uma nova cirurgia.
Essa cirurgia é chamada de revisão da prótese de joelho.
Mas é importante fazer uma distinção: nem toda dor após uma prótese significa que ela falhou ou precisa ser trocada. Antes de indicar uma revisão, é necessário descobrir a causa dos sintomas.
Infecção, soltura dos componentes, instabilidade, desgaste, fraturas, perda de movimento e problemas relacionados ao alinhamento estão entre as causas que podem levar à revisão. Estudos recentes mostram que infecção e soltura asséptica estão entre as principais causas de revisão de artroplastia total do joelho.
O que significa uma prótese de joelho falhar?
Quando falamos em falha da prótese, não significa necessariamente que o implante “quebrou”.
Uma prótese pode ser considerada falha quando existe um problema que compromete de maneira significativa sua função, estabilidade ou fixação, ou quando provoca sintomas que não podem ser adequadamente tratados sem uma intervenção cirúrgica.
Entre as principais situações estão:
infecção;
soltura dos componentes;
instabilidade;
desgaste do polietileno;
osteólise e perda óssea;
fratura ao redor da prótese;
rigidez importante;
problemas do mecanismo extensor;
alterações do posicionamento ou alinhamento;
determinados problemas patelofemorais;
dor persistente após investigação completa.
A literatura também mostra que as causas podem variar conforme o tempo desde a primeira cirurgia. Infecção aparece com maior frequência entre falhas precoces, enquanto a soltura asséptica é uma causa importante de falhas tardias.
Quais são as principais causas de falha da prótese?
Infecção da prótese
A infecção periprotética é uma das complicações mais importantes relacionadas à artroplastia do joelho.
Ela pode ocorrer logo após a cirurgia ou aparecer meses ou até anos depois.
Os sinais podem incluir:
dor persistente;
aumento de volume;
vermelhidão;
calor;
secreção pela ferida;
febre;
piora progressiva da função.
Entretanto, uma infecção crônica pode apresentar sintomas bastante discretos.
Por isso, diante de uma prótese dolorosa, a infecção precisa ser considerada e investigada antes de simplesmente atribuir os sintomas a um problema mecânico.
Dados recentes do American Joint Replacement Registry mostram a relevância da infecção entre as revisões de prótese de joelho.
Soltura da prótese
Outra causa importante é a soltura dos componentes da prótese.
A fixação pode perder sua estabilidade ao longo do tempo, levando a dor e comprometimento da função.
O paciente pode perceber:
dor ao apoiar o peso;
dificuldade para caminhar;
sensação de insegurança;
piora progressiva da capacidade funcional.
A soltura pode ser asséptica, sem infecção, ou estar associada a um processo infeccioso.
Essa diferenciação é fundamental porque o tratamento pode ser bastante diferente.
Instabilidade
O joelho precisa apresentar um equilíbrio adequado entre os componentes protéticos e as estruturas ligamentares.
Quando existe instabilidade, o paciente pode sentir:
falseio;
insegurança para caminhar;
dificuldade para descer escadas;
sensação de que o joelho “escapa”;
dificuldade para realizar determinadas atividades.
A instabilidade está entre as causas mais frequentes de revisão de prótese de joelho.
Em alguns casos, o problema pode estar relacionado ao equilíbrio ligamentar ou ao posicionamento dos componentes.
Quando a instabilidade é estrutural e não pode ser adequadamente corrigida de outra maneira, pode ser necessária uma cirurgia de revisão.
Desgaste do polietileno
O polietileno é um componente plástico presente em muitas próteses de joelho.
Com o tempo, pode ocorrer desgaste desse material.
Em determinadas situações, partículas provenientes desse desgaste podem provocar uma resposta inflamatória ao redor da prótese, contribuindo para osteólise, perda óssea e eventualmente soltura dos componentes.
O desgaste, portanto, não significa automaticamente que toda a prótese precisa ser trocada.
Dependendo do caso, a estratégia pode variar desde acompanhamento até procedimentos de revisão específicos.
Perda óssea
A perda de osso ao redor da prótese pode acontecer por diferentes mecanismos, incluindo desgaste, osteólise, soltura ou infecção.
Quando existe uma quantidade significativa de perda óssea, a revisão se torna tecnicamente mais complexa.
O planejamento pode exigir componentes especiais para preencher ou contornar as áreas de deficiência óssea.
Entre os recursos utilizados em cirurgias de revisão estão:
hastes;
cones metálicos;
sleeves;
augments;
componentes de maior tamanho;
enxertos ósseos em situações selecionadas.
A reconstrução do estoque ósseo é uma das etapas mais importantes para conseguir uma fixação adequada da nova prótese.
Fratura ao redor da prótese
Uma fratura pode ocorrer no fêmur ou na tíbia ao redor de uma prótese já implantada.
Essas lesões são chamadas de fraturas periprotéticas.
O tratamento depende principalmente de:
localização da fratura;
padrão da fratura;
qualidade do osso;
estabilidade dos componentes;
presença de infecção.
Quando a prótese permanece bem fixada, pode ser possível tratar a fratura sem substituí-la.
Quando existe soltura do componente ou comprometimento importante da reconstrução, entretanto, pode ser necessária uma cirurgia de revisão.
Rigidez ou artrofibrose
Alguns pacientes desenvolvem uma limitação importante do movimento após a artroplastia.
Essa situação pode estar relacionada à artrofibrose, formação excessiva de tecido cicatricial ou alterações relacionadas aos componentes da prótese.
A abordagem depende de:
tempo de evolução;
grau de limitação;
causa da rigidez;
posicionamento dos componentes;
resposta aos tratamentos anteriores.
Nem toda rigidez exige uma revisão completa da prótese.
Em determinados casos, outras estratégias podem ser consideradas antes de uma revisão.
Problemas do mecanismo extensor
O mecanismo extensor é formado principalmente pelo quadríceps, patela e tendão patelar.
Alterações nessa estrutura podem comprometer significativamente a função do joelho.
Entre os problemas possíveis estão:
ruptura do tendão patelar;
ruptura do tendão do quadríceps;
fraturas da patela;
problemas de rastreamento patelar;
deficiência do mecanismo extensor.
Algumas dessas situações podem exigir reconstruções específicas e, dependendo do caso, revisão dos componentes da prótese.
Como saber se a prótese realmente falhou?
Essa é uma das perguntas mais importantes.
A presença de dor, isoladamente, não é suficiente para diagnosticar falha da prótese.
Antes de indicar uma revisão, é necessário investigar a origem dos sintomas.
A avaliação geralmente envolve:
História clínica
É importante entender:
quando a dor começou;
se houve um período sem dor após a cirurgia;
se os sintomas estão piorando;
se existe instabilidade;
se houve trauma;
se houve febre ou infecção;
quais atividades provocam os sintomas.
Exame físico
O exame pode avaliar:
amplitude de movimento;
estabilidade;
alinhamento;
marcha;
mecanismo extensor;
região patelofemoral;
quadril e coluna, quando necessário.
Radiografias
As radiografias são fundamentais para avaliar:
posicionamento dos componentes;
alinhamento;
sinais de soltura;
desgaste;
fraturas;
perda óssea.
Exames laboratoriais
Quando existe suspeita de infecção, exames laboratoriais podem fazer parte da investigação.
Dependendo do caso, pode ser necessário realizar punção articular para análise do líquido sinovial.
Tomografia
A tomografia pode ser útil em situações selecionadas, especialmente para avaliar:
posicionamento dos componentes;
rotação;
perda óssea;
alterações estruturais complexas.
Quando é necessário trocar a prótese?
A indicação de revisão depende da combinação entre sintomas, achados clínicos, exames de imagem e identificação da causa da falha.
Em termos gerais, a revisão pode ser indicada quando existe:
Infecção da prótese
quando o tratamento exige intervenção cirúrgica sobre os componentes.
Soltura dos componentes
quando a fixação está comprometida e provoca sintomas ou alterações estruturais relevantes.
Instabilidade importante
quando o joelho permanece instável apesar das possibilidades de tratamento conservador.
Desgaste associado a perda óssea ou falha mecânica
quando o problema compromete a integridade da reconstrução.
Fratura periprotética
quando a fratura está associada à instabilidade da prótese.
Rigidez grave ou falha mecânica
quando existe uma causa estrutural que justifique a intervenção.
Outras falhas estruturais
quando existe um problema comprovado que não pode ser solucionado adequadamente sem cirurgia.
É possível trocar apenas uma parte da prótese?
Sim.
A cirurgia de revisão não necessariamente significa retirar todos os componentes.
Dependendo da situação, pode ser possível substituir apenas:
o polietileno;
um componente femoral;
um componente tibial;
componentes específicos relacionados ao problema.
Em outras situações, entretanto, é necessário retirar toda a prótese e realizar uma reconstrução mais complexa.
A escolha depende principalmente de qual componente falhou e das condições dos demais componentes e tecidos ao redor da articulação.
Revisão de prótese parcial é diferente de revisão de prótese total?
Sim.
Uma prótese parcial, como a prótese unicompartimental, possui características diferentes de uma artroplastia total.
As causas de falha também podem variar.
Na prótese unicompartimental, por exemplo, a progressão da artrose para outros compartimentos e a soltura asséptica estão entre as causas descritas de revisão.
Em alguns pacientes, uma prótese parcial que falhou pode ser convertida para uma prótese total.
A estratégia depende das condições da articulação e da quantidade de osso disponível.
A revisão de prótese é mais complexa do que a primeira cirurgia?
Em muitos casos, sim.
Na revisão, o cirurgião pode encontrar:
perda óssea;
cicatrização importante;
alterações ligamentares;
componentes difíceis de retirar;
deformidades;
infecção;
múltiplas cirurgias anteriores.
Por isso, o planejamento é fundamental.
Em revisões complexas, podem ser necessários componentes especialmente desenvolvidos para fornecer maior estabilidade e melhor fixação.
A própria AAOS destaca que o planejamento da revisão envolve etapas específicas como avaliação da perda óssea, posicionamento dos componentes, fixação e equilíbrio ligamentar.
A revisão da prótese pode falhar novamente?
Sim.
Esse é um ponto importante que precisa ser discutido antes da cirurgia.
A revisão é uma cirurgia de maior complexidade e não existe garantia de que será a última intervenção necessária.
Uma meta-análise publicada em 2026, envolvendo quase 40 mil artroplastias de revisão, encontrou uma taxa de nova revisão de 13,5% durante o acompanhamento dos estudos analisados. As principais causas de falha foram infecção, instabilidade e soltura asséptica.
Esses números não representam necessariamente o risco individual de cada paciente. O prognóstico depende da causa da revisão, da idade, das condições ósseas, da presença de infecção, do tipo de reconstrução e de diversos outros fatores.
O que fazer quando outro médico indica a troca da prótese?
Quando existe indicação de revisão, especialmente em um caso complexo, uma segunda opinião especializada pode ser útil.
O objetivo não é simplesmente confirmar ou discordar da indicação.
É importante responder algumas perguntas:
Qual é exatamente o problema da prótese?
Existe infecção?
Existe soltura?
Existe instabilidade?
Há perda óssea?
Qual componente precisa ser trocado?
É necessária uma revisão parcial ou completa?
Quais alternativas existem?
Qual é o objetivo da nova cirurgia?
Quais são os principais riscos?
Ter clareza sobre essas questões ajuda o paciente a compreender melhor a indicação e o planejamento da cirurgia.
Perguntas frequentes sobre falha da prótese de joelho
Uma prótese dolorosa precisa ser trocada?
Não necessariamente. A dor pode ter diferentes causas e precisa ser investigada antes de indicar uma revisão.
Quanto tempo depois da cirurgia uma prótese pode falhar?
Uma falha pode ocorrer tanto nos primeiros meses quanto muitos anos depois. As causas também variam conforme o período de evolução.
A prótese pode soltar?
Sim. A soltura dos componentes é uma das causas reconhecidas de revisão de artroplastia do joelho.
Infecção sempre significa que a prótese precisa ser retirada?
Não. Existem diferentes estratégias de tratamento, dependendo das características da infecção e das condições do paciente e da prótese.
É possível trocar somente o polietileno?
Em casos selecionados, sim. A possibilidade depende da causa do problema e das condições dos demais componentes.
Depois de uma revisão, a prótese pode durar muitos anos?
Sim, mas a durabilidade varia de acordo com a complexidade do caso, a causa da revisão, a reconstrução realizada e as características individuais do paciente.
Vale a pena buscar uma segunda opinião?
Em casos de maior complexidade, principalmente quando existe indicação de revisão, uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer a causa da falha e as alternativas disponíveis.
Quando procurar um especialista em cirurgia do joelho?
Procure avaliação especializada se você possui uma prótese de joelho e apresenta:
dor persistente ou progressiva;
inchaço recorrente;
sensação de falseio;
perda de movimento;
dificuldade crescente para caminhar;
sensação de instabilidade;
alteração do alinhamento;
trauma;
febre ou sinais de infecção;
ou recebeu indicação de troca da prótese.
O mais importante é não assumir que toda dor significa que a prótese precisa ser trocada.
O diagnóstico da causa da falha é o primeiro passo para definir o tratamento.
Agende sua avaliação
A falha de uma prótese de joelho pode ter diferentes causas e níveis de complexidade.
Uma avaliação especializada permite analisar os exames, entender o motivo dos sintomas e determinar se realmente existe indicação de revisão — e, quando existe, qual estratégia pode ser utilizada.
Sobre o Dr. Rafael Rahal
O Dr. Rafael Rahal é cirurgião ortopédico especializado em cirurgia do joelho, graduado pela USP e especialista em cirurgia do joelho pela Santa Casa de São Paulo.
Atende pacientes em São Paulo e Brasília, incluindo pacientes provenientes de outros estados e países.
Entre em contato com nossa equipe e programe sua avaliação.
Atendimento em São Paulo (Moema, Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês) e Brasília.
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