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Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA): Como é a cirurgia, recuperação, tipos de enxerto e quando operar

Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA): Como é a cirurgia, recuperação, tipos de enxerto e quando operar

Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA): Como é a cirurgia, recuperação, tipos de enxerto e quando operar

A reconstrução do LCA é uma das cirurgias mais realizadas na ortopedia esportiva e tem como objetivo restaurar a estabilidade do joelho após uma ruptura.

Imagem ilustrativa de joelhon com ruptura em seu ligamento cruzado anterior

Reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA): Como é a cirurgia, quando fazer e como é a recuperação

Uma lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) pode mudar completamente a vida de uma pessoa. O joelho perde estabilidade, atividades simples passam a gerar insegurança e esportes que envolvem corrida, mudanças de direção ou saltos tornam-se praticamente impossíveis.

A boa notícia é que a reconstrução do LCA é uma das cirurgias ortopédicas com maior taxa de sucesso quando corretamente indicada, realizada com técnica anatômica e acompanhada por um protocolo moderno de reabilitação.

Neste artigo, explico como funciona a cirurgia, quem realmente precisa operar, quais são os tipos de enxerto e quanto tempo leva para voltar ao esporte.

O que é o Ligamento Cruzado Anterior?

O Ligamento Cruzado Anterior é uma das principais estruturas responsáveis pela estabilidade do joelho.

Ele impede que a tíbia deslize para frente em relação ao fêmur e controla os movimentos de rotação do joelho.

Quando ocorre sua ruptura, o paciente frequentemente relata:

  • estalo no momento da lesão;

  • dor intensa;

  • inchaço nas primeiras horas;

  • sensação de falseio;

  • dificuldade para retornar ao esporte.

Toda lesão do LCA precisa de cirurgia?

Não.

Essa é uma das dúvidas mais frequentes no consultório.

Nem todo paciente necessita reconstrução do LCA.

A cirurgia costuma ser indicada principalmente quando existe:

  • sensação de instabilidade;

  • desejo de retornar a esportes com mudanças de direção;

  • pacientes jovens e ativos;

  • lesões associadas dos meniscos;

  • risco aumentado de novas lesões devido aos episódios de falseio.

Já pacientes sedentários, idosos ou com baixa demanda esportiva podem ser tratados de forma conservadora em situações específicas.

A decisão deve sempre ser individualizada.

Por que não é possível "costurar" o LCA rompido?

Ao contrário de outros ligamentos, o LCA apresenta baixa capacidade de cicatrização espontânea.

Por esse motivo, na maioria das rupturas completas, o ligamento lesionado é substituído por um enxerto que funcionará como um novo LCA.

Esse enxerto passa por um processo chamado ligamentização, no qual adquire características semelhantes às do ligamento original ao longo dos meses.

Como é feita a reconstrução do LCA?

A cirurgia é realizada por artroscopia (confira no vídeo um resumo do procedimento), utilizando pequenas incisões ao redor do joelho.

Durante o procedimento são realizados os seguintes passos:

  1. Avaliação completa da articulação.

  2. Tratamento das lesões associadas (como meniscos ou cartilagem).

  3. Confecção dos túneis ósseos em posição anatômica.

  4. Passagem do enxerto.

  5. Fixação do novo ligamento com implantes específicos.

  6. Teste final de estabilidade do joelho.

O objetivo é reproduzir o mais fielmente possível a anatomia do LCA original, proporcionando estabilidade e reduzindo o risco de falhas.



Quais são os tipos de enxerto?

Existem diversas opções.

Tendões flexores (Semitendíneo e Grácil)

É um dos enxertos mais utilizados.

Vantagens:

  • menor dor anterior no joelho;

  • pequena incisão;

  • excelente resultado funcional.

Tendão patelar

Conhecido como Bone-Tendon-Bone (BTB).

É considerado por muitos especialistas o padrão-ouro para atletas de alta demanda devido à excelente integração óssea e baixas taxas de falha em populações selecionadas. Entretanto, pode estar associado a maior incidência de dor anterior no joelho e desconforto ao ajoelhar.

Tendão do quadríceps

Tem ganhado cada vez mais espaço.

Possui:

  • grande espessura;

  • elevada resistência;

  • baixa morbidade da área doadora;

  • excelentes resultados clínicos.

Hoje é uma alternativa extremamente interessante em muitos pacientes.

Quanto tempo dura a cirurgia?

Na maioria dos casos, entre 60 e 90 minutos.

Quando existem lesões meniscais ou condrais associadas, o procedimento pode durar mais tempo.

A cirurgia dói?

Atualmente existem protocolos modernos de anestesia e controle da dor.

Além da anestesia raquidiana ou geral, frequentemente são utilizados bloqueios anestésicos periféricos e analgesia multimodal, permitindo uma recuperação muito mais confortável nas primeiras horas após a cirurgia.

Como é a recuperação?

A recuperação depende tanto da cirurgia quanto da fisioterapia.

De forma geral:

Primeiras semanas

  • controle da dor;

  • redução do inchaço;

  • recuperação da extensão completa;

  • ativação do quadríceps;

  • treino da marcha.

Entre 2 e 4 meses

  • fortalecimento muscular;

  • exercícios proprioceptivos;

  • ganho progressivo de força.

Entre 4 e 6 meses

  • corrida progressiva;

  • exercícios pliométricos;

  • movimentos específicos do esporte.

Entre 9 e 12 meses

Após testes objetivos de força, equilíbrio e desempenho funcional, muitos pacientes podem receber liberação para retorno aos esportes com pivô, como futebol, basquete e handebol. O retorno não deve ser baseado apenas no tempo desde a cirurgia, mas principalmente em critérios objetivos de recuperação.

Posso voltar ao futebol?

Na maioria dos casos, sim.

Entretanto, o retorno deve ocorrer somente quando critérios objetivos forem atingidos.

Voltar antes do momento adequado aumenta significativamente o risco de uma nova ruptura.

Quais são os riscos da cirurgia?

Como qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos, embora sejam pouco frequentes.

Entre eles:

  • infecção;

  • rigidez do joelho;

  • trombose;

  • nova ruptura do enxerto;

  • dor residual;

  • falha da cicatrização.

Uma técnica cirúrgica adequada, associada a uma reabilitação bem conduzida, reduz significativamente essas complicações.

É possível romper novamente o LCA?

Sim.

As principais causas incluem:

  • retorno precoce ao esporte;

  • trauma de alta energia;

  • reabilitação inadequada;

  • novo mecanismo de entorse.

Por isso, a fase de reabilitação é tão importante quanto a própria cirurgia.

Estabilidade importa!

A reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior é um procedimento altamente eficaz para restaurar a estabilidade do joelho e permitir o retorno seguro às atividades físicas.

O sucesso da cirurgia depende da combinação entre uma indicação correta, técnica cirúrgica precisa, escolha adequada do enxerto e um programa estruturado de fisioterapia.

Cada paciente possui objetivos, anatomia e demandas diferentes. Por isso, o tratamento deve ser sempre individualizado após uma avaliação especializada.

Perguntas frequentes

A cirurgia do LCA é feita por vídeo?

Sim. Ela é realizada por artroscopia, utilizando pequenas incisões e uma câmera de alta definição.

Vou precisar usar muletas?

Sim. A maioria dos pacientes utiliza muletas por alguns dias ou semanas, conforme o tipo de cirurgia e a presença de lesões associadas.

Quanto tempo fico afastado do trabalho?

Trabalhos administrativos geralmente permitem retorno entre 2 e 4 semanas. Atividades físicas intensas ou que exigem esforço podem demandar vários meses.

Posso voltar a correr?

Em muitos casos, a corrida é iniciada entre o quarto e o sexto mês, desde que critérios clínicos e funcionais sejam atendidos.

O novo ligamento é mais forte que o original?

O enxerto possui excelente resistência mecânica, mas seu sucesso depende da integração biológica, da técnica cirúrgica e da reabilitação adequada.

Dr. Rafael Rahal

Ortopedia e Cirurgia do Joelho

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CRM: 200798/SP | RQE: 113478

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Atendimento em Moema, Hospital Albert Einstein e Hospital Sírio-Libanês.

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