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Entenda o que é a osteocondrite dissecante do joelho, seus sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e quando a cirurgia é indicada.

Osteocondrite Dissecante do Joelho: tudo o que você precisa saber
A osteocondrite dissecante (OCD) do joelho é uma condição em que uma pequena área do osso abaixo da cartilagem perde parte do seu suprimento sanguíneo. Com isso, o osso e a cartilagem podem enfraquecer e, em casos mais avançados, desprender-se parcialmente ou completamente da articulação.
Embora seja mais comum em crianças e adolescentes que praticam esportes, a osteocondrite dissecante também pode acometer adultos.
O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cicatrização e evitar danos permanentes à cartilagem do joelho.
Neste artigo, você entenderá o que é a osteocondrite dissecante, como ela acontece, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quando a cirurgia realmente é necessária.
O que é a osteocondrite dissecante?
A osteocondrite dissecante é uma alteração do osso localizado logo abaixo da cartilagem articular, chamado osso subcondral.
Quando ocorre diminuição do fluxo sanguíneo nessa região, o osso pode enfraquecer, comprometendo também a cartilagem que o recobre.
Nos casos mais graves, o fragmento de osso e cartilagem pode se desprender da superfície articular, tornando-se um corpo livre dentro do joelho.
A região mais frequentemente acometida é o côndilo femoral medial, embora outras áreas do joelho também possam ser afetadas.
Como acontece a osteocondrite dissecante?
A causa exata ainda não é totalmente conhecida.
Acredita-se que a doença resulte da associação de diversos fatores, como:
Microtraumas repetitivos.
Sobrecarga esportiva.
Alterações da vascularização do osso.
Predisposição genética.
Traumas diretos.
É mais frequente em jovens que praticam esportes com corrida, saltos e mudanças rápidas de direção.
Quais são os fatores de risco?
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver osteocondrite dissecante.
Entre eles:
Idade entre 10 e 20 anos.
Sexo masculino.
Prática esportiva intensa.
Esportes de impacto.
História familiar.
Traumas repetitivos do joelho.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam surgir de forma gradual.
Os mais comuns incluem:
Dor no joelho durante atividades físicas.
Inchaço recorrente.
Sensação de estalos.
Rigidez.
Dificuldade para praticar esportes.
Sensação de bloqueio do joelho.
Falseios, principalmente quando o fragmento está solto.
Nos estágios iniciais, a dor pode aparecer apenas após exercícios intensos.
Quais são os tipos de osteocondrite dissecante?
A doença pode ser classificada de acordo com a estabilidade da lesão.
Lesão estável
A cartilagem permanece íntegra e o fragmento ainda está fixo ao osso.
Essas lesões apresentam maior potencial de cicatrização, especialmente em pacientes jovens.
Lesão instável
A cartilagem apresenta fissuras ou o fragmento encontra-se parcialmente desprendido.
Existe maior risco de progressão da doença.
Corpo livre
O fragmento de osso e cartilagem desprende-se completamente e passa a se movimentar dentro da articulação.
Nesses casos, o tratamento cirúrgico geralmente é necessário.
A osteocondrite dissecante costuma vir acompanhada de outras lesões?
Na maioria das vezes, a lesão ocorre de forma isolada.
Entretanto, alguns pacientes podem apresentar:
Lesões da cartilagem.
Corpos livres intra-articulares.
Derrame articular.
Lesões meniscais.
Contusões ósseas após trauma.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela história clínica e pelo exame físico.
Durante a consulta, o ortopedista avalia:
Localização da dor.
Presença de derrame articular.
Amplitude de movimento.
Sensibilidade na região afetada.
Sinais de bloqueio articular.
Na maioria dos casos, exames de imagem são necessários.
Radiografias
São o primeiro exame solicitado.
Podem demonstrar a lesão no osso subcondral e ajudam na classificação inicial.
Tomografia Computadorizada
Pode ser utilizada para avaliar o tamanho da lesão e a anatomia óssea, especialmente no planejamento cirúrgico.
Ressonância Magnética
É o exame mais importante.
Permite avaliar:
Tamanho da lesão.
Estabilidade do fragmento.
Integridade da cartilagem.
Edema ósseo.
Corpos livres.
Outras lesões associadas.
A osteocondrite dissecante precisa de cirurgia?
Nem sempre.
O tratamento depende principalmente da idade do paciente e da estabilidade da lesão.
Pacientes jovens com lesões estáveis frequentemente apresentam boa evolução com tratamento conservador.
Já lesões instáveis ou corpos livres costumam necessitar de cirurgia.
Tratamento sem cirurgia
Quando indicado, o tratamento conservador pode incluir:
Redução das atividades
A suspensão temporária dos esportes permite diminuir a sobrecarga sobre a lesão.
Fisioterapia
A fisioterapia ajuda a:
Controlar a dor.
Recuperar a mobilidade.
Fortalecer a musculatura.
Corrigir alterações biomecânicas.
Preparar o retorno gradual às atividades.
Controle da carga
Em alguns casos, pode ser necessário reduzir temporariamente o apoio no membro afetado.
Quando a cirurgia é indicada?
A cirurgia costuma ser indicada nas seguintes situações:
Lesões instáveis.
Corpos livres intra-articulares.
Falha do tratamento conservador.
Persistência da dor.
Lesões em pacientes adultos.
Progressão da lesão nas imagens.
Dependendo das características da lesão, o cirurgião pode realizar:
Fixação do fragmento osteocondral.
Perfurações (drilling) para estimular a cicatrização.
Microfraturas.
Enxerto osteocondral (OATS).
Transplante osteocondral.
Implante de condrócitos em casos selecionados.
Quanto tempo leva a recuperação?
O tempo de recuperação depende do tratamento realizado.
Em geral:
Tratamento conservador: entre 3 e 6 meses.
Após cirurgia: entre 4 e 9 meses.
Retorno aos esportes: entre 6 e 12 meses.
O retorno depende da consolidação da lesão, recuperação da força muscular e ausência de dor.
É possível voltar ao esporte?
Sim.
Quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, muitos pacientes conseguem retornar ao esporte no mesmo nível anterior.
O retorno deve ocorrer apenas após confirmação da cicatrização clínica e radiológica.
Como prevenir a osteocondrite dissecante?
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco:
Evitar excesso de treinamento.
Respeitar períodos de descanso.
Tratar dores persistentes precocemente.
Fortalecer a musculatura dos membros inferiores.
Corrigir alterações biomecânicas quando presentes.
Perguntas frequentes
A osteocondrite dissecante é uma doença grave?
Pode ser. Quando diagnosticada precocemente, apresenta boas chances de cicatrização. Já lesões avançadas podem causar danos permanentes à cartilagem e favorecer o desenvolvimento de artrose.
Toda osteocondrite dissecante precisa de cirurgia?
Não. Lesões estáveis em pacientes jovens frequentemente cicatrizam sem cirurgia.
Posso continuar praticando esportes?
Na maioria dos casos, é necessário interromper temporariamente as atividades esportivas até a recuperação da lesão.
A osteocondrite dissecante pode evoluir para artrose?
Sim. Quando não tratada adequadamente ou quando ocorre perda da cartilagem articular, existe maior risco de desenvolvimento de artrose precoce.
Conclusão
A osteocondrite dissecante do joelho é uma condição que afeta o osso e a cartilagem da articulação, sendo mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens fisicamente ativos. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a cartilagem, favorecer a cicatrização da lesão e evitar complicações futuras.
Com acompanhamento especializado, tratamento individualizado e cirurgia quando indicada, a maioria dos pacientes consegue recuperar a função do joelho e retornar às atividades físicas com segurança.
Agende sua avaliação
Se você ou seu filho apresentam dor persistente no joelho, episódios de inchaço ou sensação de travamento durante a prática esportiva, uma avaliação com um especialista em cirurgia do joelho é essencial para confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado.
O Dr. Rafael Rahal é ortopedista especialista em cirurgia do joelho, formado pela USP e com especialização em cirurgia do joelho pela Santa Casa de São Paulo, atendendo pacientes em São Paulo e Brasília.
Atendimento em São Paulo (Moema, Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês) e Brasília.
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