Outros
Saiba como tratamentos de preservação articular podem aliviar a dor, proteger o joelho e adiar ou evitar a prótese em casos selecionados.

Preservação articular do joelho: como as novas tecnologias podem adiar ou evitar a prótese
Durante muitos anos, pacientes com desgaste progressivo do joelho frequentemente tinham como única perspectiva a evolução para uma prótese. Hoje, graças aos avanços da cirurgia do joelho, da medicina regenerativa e das técnicas de preservação articular, essa realidade vem mudando.
Em pacientes cuidadosamente selecionados, é possível preservar a articulação natural por muitos anos, tratando a causa do problema antes que o desgaste se torne irreversível.
Recentemente participei do curso da International Cartilage Regeneration & Joint Preservation Society (ICRS), um dos principais encontros mundiais dedicados à preservação articular. O objetivo foi aprofundar o conhecimento nas técnicas mais modernas para tratamento das lesões da cartilagem, do menisco e dos desalinhamentos do joelho.lesões da cartilagem, do menisco e dos desalinhamentos do joelho.
Neste artigo, compartilho alguns dos principais conceitos discutidos e como eles podem beneficiar pacientes com lesões complexas do joelho.
O que significa preservar a articulação?
A preservação articular reúne técnicas que têm como objetivo manter o joelho natural sempre que possível.
Em vez de substituir a articulação por uma prótese, busca-se tratar a causa da dor, preservar estruturas importantes e retardar a evolução da artrose.
Essa abordagem costuma ser especialmente interessante para pacientes que:
Desejam manter um estilo de vida ativo;
São relativamente jovens para uma prótese;
Possuem desgaste localizado da articulação;
Buscam preservar o joelho pelo maior tempo possível.
Cada caso deve ser avaliado individualmente para definir se existe indicação para esse tipo de tratamento.
Tratamento das lesões da cartilagem
As lesões da cartilagem continuam sendo um dos maiores desafios da cirurgia do joelho.
Ao contrário de outros tecidos do organismo, a cartilagem possui baixa capacidade de regeneração espontânea.
Durante o curso foram discutidas diversas estratégias para tratamento dessas lesões, incluindo:
Microfraturas em casos selecionados;
Membranas de colágeno;
Técnicas associadas à medicina regenerativa;
Transplantes osteocondrais;
Novas tecnologias para reparo da cartilagem.
O objetivo dessas técnicas é reduzir os sintomas, preservar a função do joelho e retardar a progressão do desgaste articular.
Novas tecnologias para regeneração osteocondral
Entre as inovações discutidas está o Cartiheal Agili-C®, um implante desenvolvido para o tratamento de determinadas lesões osteocondrais.
Seu objetivo é favorecer o reparo conjunto do osso e da cartilagem, buscando restaurar a superfície articular de maneira mais integrada.
Embora os resultados iniciais sejam promissores em pacientes selecionados, essa tecnologia ainda não está disponível para uso rotineiro no Brasil, aguardando aprovação dos órgãos regulatórios.
O desenvolvimento de novas alternativas como essa demonstra o quanto a preservação articular tem evoluído nos últimos anos.
Preservação do menisco
Outro tema amplamente discutido foi a importância do menisco para a saúde da articulação.
Atualmente, sempre que possível, a prioridade é preservar essa estrutura.
Quando isso não é viável, existem alternativas como:
Sutura do menisco;
Scaffolds meniscais em casos selecionados;
Transplante de menisco.
Essas estratégias procuram restaurar parte da função meniscal, reduzir a sobrecarga sobre a cartilagem e diminuir o risco de evolução para artrose.
Osteotomias e preservação do joelho
As osteotomias também fazem parte das estratégias de preservação articular.
Ao corrigir desalinhamentos dos membros inferiores, é possível redistribuir a carga sobre a articulação e aliviar a sobrecarga na região desgastada.
Em muitos pacientes, essa abordagem permite retardar significativamente a necessidade de uma prótese.
Medicina regenerativa
As terapias ortobiológicas também vêm ganhando espaço.
Procedimentos como:
Plasma Rico em Plaquetas (PRP);
Aspirado de Medula Óssea (BMA);
podem fazer parte do tratamento em pacientes selecionados, sempre associados a um plano terapêutico individualizado.
O objetivo dessas terapias é modular a inflamação da articulação e contribuir para o controle dos sintomas.
O que muda para o paciente?
A principal mudança é que hoje existem mais alternativas antes da indicação de uma prótese.
Dependendo das características do caso, é possível combinar diferentes estratégias para:
Preservar a articulação natural;
Reduzir a dor;
Melhorar a função do joelho;
Manter um estilo de vida ativo;
Adiar procedimentos mais invasivos.
Naturalmente, nem todos os pacientes são candidatos a essas técnicas, o que reforça a importância de uma avaliação especializada.
A importância da atualização constante
A cirurgia do joelho evolui continuamente.
Participar de cursos internacionais, discutir casos complexos e acompanhar as pesquisas mais recentes permite incorporar, de forma criteriosa, técnicas que demonstram benefício para os pacientes.
Mais do que utilizar novas tecnologias, o fundamental é compreender quando elas realmente estão indicadas e quais pacientes podem se beneficiar delas.
Perguntas Frequentes
Toda pessoa com artrose pode evitar a prótese?
Não. Em alguns casos, principalmente na artrose avançada, a prótese continua sendo o tratamento mais indicado. Entretanto, pacientes com lesões localizadas podem se beneficiar de estratégias de preservação articular.
Lesões da cartilagem sempre precisam de cirurgia?
Não. Muitas lesões podem ser tratadas inicialmente com fisioterapia, fortalecimento muscular, infiltrações e outras medidas conservadoras.
O transplante de menisco é indicado para qualquer paciente?
Não. Essa é uma técnica reservada para situações específicas e depende de uma avaliação criteriosa das condições da articulação.
Novas tecnologias substituem a experiência do cirurgião?
Não. A tecnologia amplia as possibilidades de tratamento, mas a escolha da técnica mais adequada depende da avaliação clínica e da experiência do especialista.
Quando procurar um especialista em preservação articular?
Uma avaliação especializada é indicada para pacientes que apresentam:
Lesões da cartilagem;
Lesões complexas do menisco;
Artrose em fase inicial ou intermediária;
Desalinhamentos dos membros inferiores;
Dor persistente no joelho apesar do tratamento conservador.
Quanto mais precoce for a avaliação, maiores são as chances de preservar a articulação.
Agende sua avaliação
A preservação articular representa uma das áreas de maior evolução na cirurgia do joelho. Em pacientes cuidadosamente selecionados, técnicas modernas podem aliviar a dor, restaurar a função da articulação e retardar a necessidade de procedimentos mais invasivos.
Se você apresenta dor persistente no joelho, lesões da cartilagem, lesões do menisco ou artrose em estágios iniciais, uma avaliação especializada permitirá identificar se existe uma estratégia de preservação articular adequada para o seu caso e definir o tratamento mais indicado com base nas evidências científicas atuais.
Atendimento em São Paulo (Moema, Hospital Albert Einstein e Sírio-Libanês) e Brasília.
Acompanhe as novidades


